De saudade, tempo, dia das mães e ausência

Faltam nove minutos para o fim do domingo em que comemora-se o dia das mães, exatamente o segundo domingo de maio. Passei o dia com minha mãe. Tomei café, almocei, passei a tarde e acabei de sair com ela, apenas nós dois, pra comermos um xis.

Já a mãe dela, minha avó, que me chamava de filho e como tal eu era tratado, há quatro meses se bandeava prá querência do patrão velho. Foi camperear nos pagos lá em cima, maneando anjinho e churrasqueando com o barbas-brancas, defumando as ora ausências num fogo-de-chão qualquer.

Eu sei que não escrevi sobre isso, mas hoje não deu pra segurar. Sei lá, o blog é meu, pessoal, mas não me sinto bem com sentimentalismos públicos. Mas hoje eu preciso render uma homenagem póstuma, já que pela vez primeira não passei o domingo das mães com ela. Nem que seja por uma tentativa de compensação.

Esta foi a nossa última foto. Ela era envergonhada. Semi-analfabeta de pai e mãe, era boa em matemática, mas era doutora em amar um neto e fazê-lo se sentir como filho.

Algumas vezes, em horários do dia salteados, ela ligava pra contar uma piada ou uma história engraçada do passado (ela deveria ter escrito um livro). Dessas piadas bobas, que só ficavam engraçadas com as gargalhadas que ela soltava no telefone e mal conseguia terminar de contar, tamanho o entusiasmo da dona Dilma.

E hoje, o que mais espero é uma ligação dizendo “Oi filho, tenho uma piadinha pra te contar… não vou te atrapalhar?”

Nunca atrapalhou, vó. Nunca atrapalhou…

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5 Responses to “De saudade, tempo, dia das mães e ausência”

  1. Que saudade de passar e vê-la sentadinha na frente de casa, pegando um sol pra esquentar. Mais ainda de ficar ali junto com ela e ver vocês dois juntos…

  2. Salve, Becher!
    Eu acompanhei silenciosamente, via Twitter, a despedida da sua vozinha. O que falar numa hora destas né?
    Mas esta foto me trouxe uma sensação de ternura e hoje fiz questão de comentar no seu post.
    Que lindinha, né? Imagino a saudade que você deve sentir. Eu ainda tenho as duas avós, ambas com 87 anos. O que dá pra fazer é o que, tenho certeza, você fez ao máximo:curti-las enquanto estão entre nós.Abraços
    Um grande abraço!

  3. Bruna disse:

    Ou, Becher.. Que lindo.
    Também não sou dada a semtimentalismos públicos, mas este teu texto ultrapassa isto a que te referiste como “sentimentalismo” e transmite muito mais e de forma muito mais intensa…

    A tua sensibilidade e teus sentimentos foram tão sinceramente extravasados, que até eu me senti meio órfã de vó.

    Deixo meus sinceros sentimentos, que desejo que percebas com a transparência de água cristalina, e delicadeza simples de flor.

    Bruna.

  4. Becher,

    conheci hoje seu blog e quero dizer q esse seu texto me fez despertar q posso curtir um pouco mais meus avós… de verdade… forte abraço…

    PaZ SeMpRe!

  5. Daniel Becher disse:

    Joares,

    fico muito, muito contente que isso tenha acontecido. Não sei se você tem alguma ligação com eles, mas eu era muito ligado à minha vó. É fato que um dia vamos passar por isso, mas quão mais tarde melhor, quão mais aproveitados nossos avós forem, mais feliz é a vida :) podes ter certeza.

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