Reunião semanal da empresa onde trabalho

Dando sequência a série “Eu levo uma vida de cão”, e pedindo encarecidamente que o leitor não sinta pena de mim, porque se eu o faço é pra mostrar que existe coisa pior que torcer pro Corinthians ou ser Petista, e tão somente isso. Não quero despertar no mais assíduo espectador das minhas sandices escritas qualquer sentimento negativo de compaixão ou remorso. O que quero é apenas chocar, mostrar a verdade nua e crua, uma espécie de “merda no ventilador” dessa vida dura que o meu povo sofrido leva.

Hoje fizemos um relatório fotográfico mais apurado mostrando como é nossa rotina.

É mister afirmar que hoje é sexta-feira e o expediente foi realizado enquanto você, nobre trabalhador assalariado, com ticket, vale refeição e plano de saúde, estava no conforto do seu escritório com ar condicionado, cafezinho e poltrona confortável, em contra-ponto a essa condição sub-humana de produção manufaturada.

Momento 1 – a captura do pescado

Esta é a captura da nossa matéria prima, o papa-terra, ou betara, como os colegas de profissão do sudeste o chamam (note a minha cara de descontentamento, fruto desse sub-trabalho).

Momento 2 – a seleção do produto e descarte de matéria prima avariada / com vício

Este Papaterra, após ser capturado e ficar esperando um pouco na água, foi atacado por um predador, fruto de um momento de vadiagem deste trabalhador que estava  num momento de ócio improdutivo (vulgo “matando serviço”). Após ser chamado pelo chefe (que você conhecerá a seguir) e desenvolvermos melhor o nosso espírito de equipe e a nossa relação interpessoal (vulgo “tomar uma mijada”), ele foi descartado e virará insumo (isca) para a captura de mais exemplares (vulgo “a gente não joga nada fora”).

Momento 3 – a comercialização

Este é Dr. Pinheiro, o chefe, prestes a receber o primeiro cliente do dia. Não, este cara neste transporte rústico sobre duas rodas não é o nosso cliente. Ele é apenas um assessor administrativo (vulgo “puxa-saco”) do Pinheiro, típico de uma organização e típico de chefe. O nosso cliente pode ser avistado no horizonte, um pequeno ponto preto quase invisível a olho nu se aproximando pro atraque e pro embarque da carga (pra localizá-lo melhor, veja acima do boné do aspone).

Note que começamos cedo, os primeiros raios de sol da aurora ainda tímidos eram prenúncio de que o dia começa cedo nessa lida bruta por estes rincões.

Bom, agora…

… chega de trabalho por hoje. Com licença, vou me divertir :)

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