De Cacciola à Naji Nahas, Daniel Dantas e Celso Pitta

Indian PittaImage via Wikipedia

Pitta, Naji Nahas e Daniel Dantas não roubaram galinhas. Eles não cometeram um furto famélico, eles não atropelaram sem querer uma velhinha no trânsito e a deixaram com uma burcite medonha, eles não se envolveram em uma briga numa boate onde quebraram garrafas e viraram mesas provocando qualquer alvoroço. Eles são acusados de evasão de divisas, formação de quadrilha, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e uso de informações privilegiadas.

A polícia prendeu, o nosso Supremo Tribunal, mais especificamente o Presidente Gilmar Bastos, soltou. Não é uma beleza? Ficar preso no Brasil não é nenhuma punição, não dá exemplo. Ficar preso no Brasil só funciona se você, caro amigo, for pobre, afro-descendente ou puta. Ser filho de uma delas não.

Agora tá uma lenga-lenga a história de o Cacciola ser extraditado para o Brasil. Que é isso, tio Cacciola? Vem pra cá logo! Aqui tu vais ser tratado como celebridade, vais ter regalias, terás uma cela bonita, ar-condicionado, TV, rango de restaurante granfino… e ainda tem as mulatas!

Aqui onde eu moro, quando a gente toma no bogas, costumamos dizer que nos fodemos de primeiro à quinto, numa pequena referência ao jogo do bicho (não era proibido?). Agora, estamos nos fodendo de Cacciola à Naji Nahas, Daniel Dantas e Celso Pitta. Na milhar.

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3 Responses to “De Cacciola à Naji Nahas, Daniel Dantas e Celso Pitta”

  1. José Vitor disse:

    “(…) Ficar preso no Brasil não é nenhuma punição (…)”

    Daniel, prisão como punição só no final do processo SE, e somente se, for julgado culpado o réu.

    O Ministro do Supremo ou qualquer outro juiz acerta ao por em liberdade quem nunca deveria ter sido preso. A decisão é clara, inexistentes os motivos resta prejudicada a decisão que mandou prender temporariamente.

    Não duvido aconteça novamente ainda hoje.

    Quem deve mostrar o certo é quem mais faz errado! PF Virou milícia a muito tempo!

  2. Evandro Cesar disse:

    José Vitor: não sei se você é advogado, mas isso é conversa de advogados que aproveitam a gigantescas brechas na lei brasileira para retirar da cadeia clientes que pagam bem, muito bem, aliás dinheiro é o que não falta, oferecer suborno a um delegado da PF é crime e se a PF fosse uma milícia teria aceitado e dinheiro…

  3. José Vitor disse:

    Evandro…

    Sim, sou advogado. E isso não é conversa, é argumento.

    Tudo bem discordar, mas se o fizer não estará mais num Estado Democrático muito menos de Direito.

    Eu luto até o fim para garantir a tua liberdade porque desejo ter o mesmo tratamento. Isso nos faz mais fortes. Rompida esta relação deixamos de viver num estado de direito. Logo, se você defende que o crime que me imputam permite que me queimem em praça publica esteja preparado para queimar também. Queres isto pra ti? Não? Então não deseje o mesmo pro teu semelhante!

    Vivemos sim com um Estado policial que sustenta-se em pessoas que acham a barbarie a coisa mais normal do mundo.

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