Tenho uma forte convicção de que o que faz o sucesso de alguma obra, principalmente literária, é a identificação que o leitor tem com algumas das personagens dentro de um enredo ou do contexto. Já vi quem não gostasse, mas pra mim, O Analista de Bagé é um livro que me arrependo apenas de uma coisa: não ter lido antes.
O Analista de Bagé é um cara prático, simples e politicamente incorreto. Mas ao mesmo tempo se considera um psicanalista freudiano puxando pela linha ortodoxa. Tão ortodoxo que uma de suas técnicas de atendimento é conhecida por “Joelhaço”. Você pode até lutar com as espadas da moral e ética profissional quando lê, mas vai acabar entendendo que joelhaço nada mais é que o princípio da dor maior, ou seja, se você tá com dor de corno e recebe um joelhaço na paleta, esta vai te proporcionar uma dor tão intensa que você esquece logo, logo do chifre. Simples assim.
Mas faço todo esse floreio pra ilustrar o que postulo como simples. Confabulando asneirices com a Renata, ela me contou de uma matéria que leu sobre restaurantes caros e “phynnos” que cobram as pegras anais para experimentar – e tão somente experimentar, degustar – manjares da culinária e em doses homeopáticas. A matéria está em revista impressa, mas se você não precisa de joelhaço pra entender, veja aqui algo parecido.

Isso é comida de maricas. Você pode até comer com a colher, mas usa uma só pra cada pessoa e o processo deve ser repetido várias vezes, pra tapar a panelinha do dente.
Ou seja, um chef estuda em qualquer país que faça biquinho pra falar, consegue um emprego com um bom salário em um restaurante desses e um idiota que não conseguiu usar todos os seus trocados de notas de cinquenta com sua higiene anal, as usa para servir de cobaia e pagar a conta. E dê-lhe notas, é caro.
Vale tudo em nome do status e da extravagância. Mas, como já disse, me identifiquei muito com o Analista de Bagé. Não com o Luís Fernando Veríssimo, não. Com a personagem. Por muitas vezes já me imaginei numa situação onde estamos, Analista de Bagé e eu, na frente d’um restaurante desses, de palanqueado num banquito, cevando um mate amargo, após carnear aquela costela gorda e bem assada no fogo-de-chão (e não tenha dúvida que comeríamos com a mão. Chupa, Dr. Bactéria!), acendendo um palheiro e entre uma tragada e outra, de rabo-de-olho, dizendo:
“Te fresqueia… mas te fresqueia!”
Imaginar a cena de alguem comendo costela com as mãos em frente ai restaurante foi um exercício muito bom para a mente.
Mas tenho certeza que o analista de Bagé higienizaria bem as mãos antes disso, pois dizem que algumas bactérias podem causar um certo “desarranjo” e que este “desarranjo”, joelhaço não cura!!!! E a secretaria do Analista é bem limpinha e geeralmente toma estes cuidados para ele.
Pois vc deve saber que se o homem tá desarranjado, é a pobre que vai cuidar dele, né? Coitada dela…