Florianópolis é uma cidade em crescimento. Muito pouca gente sabe, mas a explosão desta pacata cidade, até então, se deu quando Gustavo Kuerten, o tenista nascido e criado aqui, começou a se destacar no cenário esportivo nacional. Muita reportagem feita com ele, muitas matérias sobre sua cidade natal e, pimba! A pequena Florianópolis, de povo calmo e hospitaleiro, passou a ser alvo de ricassos ricaços que vinham fugidos da violência e em busca de sossego.
Mas eu não vou fazer muita propaganda, dizer que Floripa tem 42 praias, uma natureza exuberante, coisa e tal, pois como já disse aqui, sou meio xenófobo e quanto menos gente de fora perturbando e trazendo violência junto, melhor. Depois que essa cidade começou a ser infestada de gaúchos, paranaenses e paulistas nunca mais foi a mesma. O Adriano, do Meu ouvido não é penico, me convidou para um Meme cujo tema está no título deste post.
Sendo assim, listo as 5 coisas boas para se fazer em Florianópolis se você não gosta de ficar desfilando aquela sua roupa nova na noite nem ficar cozinhando igual leitão a pururuca na praia:
1 – Bom Abrigo
Apesar de eu não gostar de praia, eu gosto do mar. Sim, é diferente. Gostar de ir à praia é ficar um dia inteiro torrando no sol, deitado ou sentado naquela areia grudenta ou ficar boiando igual merda na água (que já estão quase uma merda, e no sentido literal). O bairro Bom Abrigo é banhado por uma praia de mar manso, mas o tchan deste lugar são as árvores e os banquinhos que ficam embaixo delas, nos brindando com uma sombra agradável num dia de calor. Ideal para passear com a namorada, bater um papo ou até mesmo realizar uma D.R em grande estilo. É um lugar que, particularmente, gosto de ficar com a Renata jogando papo fora e namorando
2 – Mercado Público
Nada como dar uma caminhada no vão do mercado público municipal. Ver as peixarias, lojas de artesanato, comércio diversificado, tomar um “negocinho” em algum bar que tenha lá dentro, um caldo de cana… Visitar o Mercado Público e ouvir as histórias mais antigos que ainda trabalham lá é resgatar a cultura da cidade. Antes de fazer qualquer coisa lá dentro, imagine que um dia o mar chegou até ali.
Se vier à Floripa e decidir visitar o mercado, não deixe de tomar uma geladinha no Bar Spinoza do meu amigo Janir, comprar uma tainha com o meu amigo Pirão do Pescados Silveira (foto) e comer aquele Prato Feito com omelete de camarão no bar do meu amigo Plácido.
Muita gente vêm de fora e acha horrível o cheiro do peixe. Mas adora ficar boiando um dia inteiro numa praia semi-poluída ou anseia morar na beira-mar, o metro quadrado mais caro da cidade pra ficar cheirando esgoto MERDA o dia todo. Vai entender os turistas; deve ser por isso que sou meio xenófobo com eles.
3 – Mirante da Lagoa
A Lagoa da Conceição é, sem dúvida, um lugar muito bonito de visitar. Apesar da turistada que vem de fora construindo casa de qualquer jeito e ajudando a acabar com aquele paraíso, ela ainda encanta muita gente. A praia, os restaurantes (venha preparado, comer em Florianópolis é pedir pra pagar 80 reais num prato de arroz, peixe e uns projetos de camarão) e os passeios de barco são pontos fortes do lugar.
Ainda tem o Morro da Lagoa com uma vista maravilhosa do mirante. Só não faça que nem fiz nessa foto, num dia nublado e quase chuvendo.
4 – Barra da Lagoa
Já visitou a Lagoa? Beleza. Continue adiante, passe a praia da Joaquina e voilá! A Barra da Lagoa é outro lugar que eu acho legal. Não esqueça de perguntar onde fica o restaurante associação dos pescadores e comer uma anchova por lá. Abraço, Ênio!
5 – Estádio Orlando Scarpelli
Hoje não. Mas em 2014 vocês vão ouvir falar deste estádio. Profecia lançada.
Este quinto ítem vai ser importante quando você, malemolente turista, já tiver acabado com toda a cidade construindo casas em áreas impróprias, continuar jogando seus esgotos nas nossas praias e tiver transformado a Beira-mar na 25 de março. Aí, não vai ter mais essa beleza toda, então você vai procurar paleativos paliativos. Como nossos shoppings são umas merdas, se você não gosta de ir pra noite pra ver boyzinho vestido de marginal com o pau pequeno tentando safar essa frustração com o som do seu carro e não gosta de ficar cozinhando na areia-misturada-com-cocô da praia, essa vai ser sua opção: ver o Figueira jogar ou assistir a Copa, obviamente, pra quem estiver vivo em 2014.





Meu caro, voce talvez seja um pouco jovem demais para desconhecer o fato de que a explosão demografica, a fama da sua beleza, e a atracão em geral por Floripa, antecede muito ao sucesso do Guga.
Esta cidade ja é afamada -por seus proprios e merecidos meritos- ha muito tempo.
Porem, voce sugerir que a crescente violencia e degradação social é uma consequencia da ‘infestação’ (Nossa!! voce diz que e ‘um pouco’ xenofobo? Não existe’um pouco’. Xenofobia é racismo, ou voce é ou voce não é) de paranaenses, gauchos, e paulistas é um comentario desinformado baseado em pura ignorancia, não daquele tipo de quem não sabe, mas daquele tipo de quem não quer saber. Informe-se e vera que a onda de violencia e crime é nossa mesma, feita em casa, não procure bode expiatorio pois é fechar os olhos a uma triste realidade.
O pessoal de fora não vem pra ca por causa do nosso povo calmo e hospitaleiro, pode ter certeza disso.
No que se refere a construcão desorganizada que esta de fato acabando com muita beleza – a Lagoa sendo o melhor exemplo -, nos somos, pelo menos, cumplices do crime. Para a ‘turistada’ construir precisa um nativo que venda o lote sem criterio ou interesse pelo que aquilo vai virar. Me diga quantos ‘estrangeiros’ a Operação Moeda Verde pegou…
Vale a pena tambem sermos justos e lembrar-mos que muita gente nessa ilha vive da ‘turistada’. Quando vejo o povo que vem de fora sendo maltratado, explorado, discriminado, a até agredido em bares pelos nossos manezinhos so por serem de fora, não posso mais do que ficar com vergonha de que eles levem tal imagem daqui.
Veja bem, como voce, não gosto de idiota de fora que vem aprontar aqui.
Mas tampouco gosto de idiota daqui. A questão esta na pessoa ser idiota ou não, a procedencia da pessoa não tem nada a ver.
E obvio que voce não é idiota, mas pra ser tão jovem, voce certamente tem uma serie de preconceitos cegos e mal resolvidos que se voce não analisar e reavaliar, com o tempo vai parecer outra coisa.
Finalizando, opinião é opinião e mais nada. Mas voce como blogger esta sendo um pouco irresponsavel em fomentar desprezo pelos outros sem avaliar a nossa propria participacão na situação.
Essa fissura toda de o povo de fora vir pra cá foi, sim, com a exposição da cidade na mídia e o Guga foi o grande baluarte desse acontecimento.
Quanto a xenofobia, você analisou ela muito a fundo. Dê-me créditos e impute ao meu texto licença “”"poética”"” (ênfase nas aspas) para entendê-lo. É claro que o nosso povo é olho grande e têm culpa igual o maior que a dos turistas.
Não me fale de preconceitos enquanto brasileiro. Somos cheios de preconceitos. E eu não ODEIO gente de fora, eu só não gosto é de turistas que vêm pra cá explorar nossa cidade.
Tenho excelentes colegas gaúchos (povo o qual admiro a tradição e a música, tendo como meu ídolo maior o Teixeirinha, que levou o nome do Rio Grande pro mundo), paulistas (na própria família), tenho grandes amigos cariocas e paranaenses (no trabalho, na rede de colegas, na Internet), enfim…
Achei seu comentário exagerado demais. Mas, como você disse, opinião é opinião e por isso aceitei a sua aqui (os comentários passam pelo meu crivo antes da publicação).
Abraço!
Pena que o mercado municipal aqui da cidade seja horrivel, mau cuidado e fedorento..
90% dos posts que eu li desse meme indicam os mercados municipais locais como um lugar para visitar..
Obrigado por participar e pelo comentário do colega ai em cima gerou uma pequena discussão…
Olá Daniel,
Tá falado então. Não foi numas de cobrança que eu disse o que disse, pois a atitude alheia não é nada da minha conta. Não tenho desprezo por preconceitos, mas tenho pena sim de quem é governado pelo desinformação que geralmente lhes dá origem.
O meu ponto esposto foi mais visando o fato que, embora talvéz voce não tenha esse tipo de preconceitos cliches ou seja xenófobo, eu acredito que as pessoas que tem projeção publica (jornalistas, escritores, bloggers, etc) devem assumir uma certa responsabilidade enquanto a clareza das suas idéias, pois se alguém menos esclarecido que eles interpretar erradamente o que foi dito, isso fomenta um mal sentimento desnecessario ou até pior.
Ainda devo discordar com voce na questão do Guga..!
Morei muito tempo lá fora e sempre fiquei surpreso com quanta gente conhece ou ouviu falar de Florianopolis, embora o nome da nossa ilha lhes seja dificil de pronunciar. Reportagens do tipo ‘campeã da qualidade de vida no Brasil’, revistas de surf, de turismo, travellers blogs, ou simplesmente por recomendação de alguém, parecem ser os meios culpados da sua fama.
Do Guga, infelizmente, lá fora pouca gente ouviu falar.
Abraço
Se me permitirem um comentário…
Gostaria de acrescentar a este Blog, a opinião de uma Carioca que anda cansada de ser alva de xenofobia (Sim!), em Florianópolis…
E logo eu, que venho de uma cidade onde todos são recebidos de braços abertos, com simpatia, com alegria e com gratidão por reverenciarem a nossa cidade…
Moro há 2 anos em Floripa, e ainda me sinto uma turista, porque o Mané se mostra claramente ameaçado em receber alguém de fora. Me disseram que isso é fruto do Manezinho da Ilha, e que o Catarinense do Interior é diferente… eu ainda não sei.
Pensei bem antes de comentar este tópico, mas eu não podia deixar de dar razão ao Alberto, que apesar de parecer Mané, foi de uma sensibilidade ímpar com “a turistada”.
Aliás, “turistada” sooa tão mal…
Afinal, se não fosse o dinheiro dos Turistas, o que Floripa, uma cidade eminentemente turística, teria como principal receita pública??????
Enfim, como o meu lema é “Intenção sem ação é só ilusão”, não vim aqui divagar sobre Xenofobia. Mas, gostaria de partir para a prática e, sugerir aos demais Manés, que invistam em viagens. Viajar é muito bom para “Se Abrir os Olhos” e se desvencilhar de preconceitos gerados pela ignorância.
Afinal, numa mídia onde a “globalização” já se tornou expressão recorrente, não podemos deixar de considerar, hoje, que o indivíduo é um ser do mundo, e não de lugar X ou Z.
Como Carioca genuína, foi doloroso sair da minha cidade. Obviamente, o motivo foi a violência. Já cansei de ouvir que o melhor lugar para se viver é o lugar onde você nasceu. Estou passando a acreditar nisso.
Mas, como Brasileira, acreditei que seria muito feliz em Floripa, morando num condomínio considerado por vocês, Manés, como sendo de luxo e cercada de toda segurança ainda possível.
Percebi que, de fato, quando se é minoria (são poucos os Cariocas que saem do Rio), conviver com culturas diferentes é muito difícil. Mas, não há nada mais indigesto do que conviver com Xenofobia Gratuita.
“Porque você me trata mal,
se eu te trato bem…
Porque você me faz o mal,
se eu só te faço o bem…”
“Somos todos filhos de Deus…
“Só não falamos a mesma língua…”
Lenine
Feliz Natal e Feliz 2008!
Se Deus quiser, com mais humanidade nos corações!
Ana Paula Mothé de Castro
Nossa… tava googleando e me deparei com este post. Vamos fazer uma troca: vocês mandam os paulistas embora daí e a gente manda os catarinenses embora de SP. Uau. Floripa teria o triplo de habitantes. E nós teríamos mais espaço aqui.
Obviamente, esta é uma idéia estúpida, que nasce na cabeça de gente que se mantém na ignorância, chamando pessoas de fora de “turistada”.
Ainda bem que 99% dos catarinenses que conheço são pessoas maravilhosas.
Agora, uma pequena porcentagem dos da capital (aliás, Floripa é menos importante do que Blumenau e Joinville) precisam cair da nuvem de sonhos em que vivem e acordar para a realidade: os paulistas não vêem a capital de SC como um objetivo de vida. 99% de nós está pouco se lixando. É uma meia dúzia de ricaços que vai viver, em busca de praia, pra gastar o dinheiro. Não é questão de qualidade de vida. Isso, temos de sobra em cidades do interior de SP e na Grande São Paulo, em São Caetano (que é melhor que Floripa).
Ótimo. Quanto mais longe, melhor.
Sou do norte do país. Moro em Florianópolis há 18 anos. Agora aposentada, prestei serviços aqui por cerca de 15 anos como funcionaria pública federal. Contribuimos com trabalho e com impostos (vários) que são revertidos para a cidade. Penso que o transporte público deficiente é um do graves problemas da cidade (não só e nem é exclusivo de Florianópolis).
Estou em vias de me mudar para Floripa. Sou carioca, moro em Brasília há mais de duas décadas, amo minha cidade, mas surgiu uma oportunidade de transferência e eu, que conheci a cidade num final de semana em 2006, resolvi apostar nela e aconteceu de tudo dar certo.
Às vésperas de ir, entrei no orkut procurando comunidades relacionadas (e hoje faço o mesmo no google), para talvez fazer contato com pessoas que estivessem vivendo – ou tivessem vivido recentemente – a mesma situação. Nessa busca, encontrei algumas comunidades do tipo “eu odeio floripa” e fiquei curiosa para ler os relatos. Pela primeira vez, desde a ocasiao do pedido de transferência, abri uma página para ver os “contra”.
Fiquei tão chocada que não dormi. E das coisas que mais me impressionaram, estava a questão da xenofobia. A leitura deste post, hoje, e o comentário da Ana Paula, me fazem, mais uma vez, repensar o acerto da minha escolha. As ponderações do Alberto, e a própria atitude do Daniel, me levaram a escrever, esperançosa.
Já morei em Curitiba, de 91 a 93 e não recomendo a cidade para ninguém que deseje alegria, espontaneidade e calor humano – apesar de toda a beleza de lá. Não tinha exatamente ilusões sobre Floripa, mas não pensei, de verdade, que pudesse haver problemas tão sérios nos relacionamentos entre as pessoas, nos mesmos moldes do que vivi em Curitiba: uma vez estrangeiro, sempre estangeiro. E se é estrangeiro, não é bem-vindo.
O carioca é um povo animado, divertido, hospitaleiro, solidário, conversador. Mas é também um povo preconceituoso com os nativos de outros estados da federação. Porém, o “preconceito” do carioca o faz até zoar, fazer piadas idiotas – mas jamais, jamais mesmo, deixar de se relacionar e se divertir com quer quer que seja, venha de onde vier. O carioca se orgulha de sua cidade, apesar de todos os problemas que ela tem (e nao sou poucos), e esse orgulho o faz querer que mais pessoas conheçam o privilégio que é estar no Rio.
(continua)
(continuação)
Em Brasília, pelas peculiaridades de sua história, a coisa é ainda mais democrática. Aqui você aprende a não falar mal de baiano porque, ainda que seu colega seja piauiense, você corre o risco de ele ter mãe ou pai baiano, e se assim for você vai ficar mal na foto. Além desse detalhe, a própria convivência com gente de todos os mundos te ensina sobre as mais variadas culturas, em todos os aspectos. Ser chamado por um amigo para comer uma buchada de bode é uma coisa normal – ainda que você jamais venha a provar da iguaria (como eu nunca provei). E no dia seguinte você se esbalda no sushi, que ninguém é de ferro. Transita-se entre o mais arraigado e o mais meloso sertanejo e a música eletrônica, o funk, o axé, o pagode. A diferença é que aqui até os riquinhos curtem forró – e curtem muito! Então um dia você vai pra uma agropecuária se acabar de sofrer com Bruno e Marrone e, na noite seguinte, está numa rave sem o menor problema.
Não que não haja, aqui, uma elite metida e arrogante; que não existam playboys e queimadores de índios – gente ruim existe em qualquer lugar. Há. E muitos dizem que há uma certa frieza em Brasília – mas é só um estilo de viver numa cidade em que ninguém está preocupado com que o vizinho está fazendo ou a que horas a filha dele chegou da balada: as pessoas estão ocupadas trabalhando e investindo na própria educação. E não existem famílias “tradicionais” que sejam “originais” de Brasília, portanto isso nos concede uma vaga e confortante (mesmo que falsa) impressão de igualdade.
Meu relato está imenso e peço desculpas por isso, mas é a necessidade do desabafo e tentar saber, de fato, qual é a verdade de Floripa, porque devo me mudar em agosto, estou indo sozinha, conheço duas pessoas na cidade (profissionalmente) e, até ontem à noite, pensava em recomeçar minha história num lugar mais frio e com mar por perto, talvez abrir um negócio em algum momento, talvez…
E tudo que li me espanta e medra. Será que os catarinenses podem confiar, sei lá, num pastel preparado por uma estrangeira? Ou entregariam seus cabelos para uma estrangeira cuidar?
Obrigada pela oportunidade de falar, apenas.
Abraços,
Nálu
Venham pra cá, não há problemas. Mentira. Não sei se sou xenófobo, mas seria cinismo afirmar que gosto da vinda de todos os ¨estrangeiros” para cá. Há limites para tudo, para beber, comer, ter lazer, trabalhar e também para o crescimento de uma cidade. Quem é de fora não conhece e não entende o porque do ” xenofobismo” , porque não conheceu o clima pacato e amistososo de 12 anos atrás, sem portões nos prédios (meu caso), casas com jardins abertos sem muros, praticamente inexistência de engarrafamentos, praias despovoadas e mais limpas etc. Não há como negar que o processo migratório especificamente da última década, estimulado pela mídia, tenha transformado a cidade num lugar agitado, super pupoloso, caótico e sem graça para aqueles acostumados com o estilo de vida da ilha de Florianópolis. Não sejam irônicos e mascarados, pois ninguém gosta de ver uma cidade tomar os rumos de uma São Paulo ou Rio de Janeiro e todos sabem porque. Perguntem aos paulistas e cariocas o que acham de favelas e trânsito e talvez percebam que o xenofobismo não foi inventado pelos manézinhos. Quem aqui vive não precisa do dinheiro e das receitas vindas do PIB do turismo para sobreviver. Os locais devem preservar a felicidade, a alegria de um povo em idolotrar e gostar de sua paz e liberdade de ir e vir, visivelmente abalada por esse infortúnio saldo migratório.
Murem a cidade, fechem a rodoviária e o aeroporto. Esta é a solução para quem não consegue ver a causa da questão.
Nossa… nem lembrava que tinha postado aqui. Que bom que o blog manda e-mail avisando. Seguem alguns comentários:
A) “clima pacato e amistososo de 12 anos atrás, sem portões nos prédios (meu caso), etc,etc” – Isso é em qualquer cidade do mundo. São Paulo há 20 anos era um docinho de côco para se viver.
B) “tomar os rumos de São Paulo e Rio de Janeiro” – Todas as cidades têm problemas. O que difere uma da outra é o caminho que ela resolve tomar para resolvê-los, dentre esses dois:
1) ficar reclamando de tudo e lamentando o que está acontecendo, com especial referência a quem vem de fora, os CULPADOS PELA NOSSA SITUAÇÃO. Consequência: tudo vai piorar.
2)Criticar muito sua cidade, entender que a culpa é sua e resolver.
Consequência: com essa mentalidade, São Paulo reduziu a taxa de homicídios em 70% nos últimos 5 anos e segundo dados comparativos mais recentes (fonte: busquem últimas notícias no Google)o estado como um todo só é mais violento do que SC. O único grande problema localizado que restou aqui é o trânsito e espero que nossa cidade adote o mesmo pensamento para resolvê-lo.
C) “Os locais devem preservar a felicidade, a alegria de um povo em idolotrar e gostar de sua paz e liberdade de ir e vir, visivelmente abalada por esse infortúnio saldo migratório”. – É uma pena que uma cidade bonita tenha gente que pense assim. O que abala a paz e liberdade não é o fluxo migratório. São vocês mesmos, que não se adaptam a uma nova realidade, que é mundial. Nova York é cheia de chineses. Paris é cheia de africanos. São Paulo é cheia de gente de todo o lugar (aliás,quando virem um carro com placa de Sampa, não adianta ficar fechando, como alguns tontos que se acham “arianos” costumam fazer. A chance de ser alguém de fora de Sampa, inclusive manezinho, é muito maior). Acabou a festa. A minha cidade, a sua cidade, a cidade do Daniel Becher (esse que diz que quanto mais longe melhor) não é mais a mesma de 10 anos atrás. A comunicação é mais fácil, as estradas estão melhorando, os vôos estão mais baratos.
O que sugiro é que “abram a cabeça”. O processo é irreversível e nunca mais viveremos numa “ilha nossa”. O que, honestamente, acaba sendo muito melhor para aqueles que sabem o valor da mistura.
Felipe, muito obrigado pelas suas palavras. É muito bom contar com alguém que tenha a “cabeça aberta”. Isso é fundamental. Adorei a sua sugestão, e complemento: VIAJAR!!!! Viajar ajuda muito a abrir os olhos. Não há nada pior que conversar com gente “míope”…
Sou Carioca e morro de saudades da minha terra. Infelizmente, como todos sabem, o Rio “não está pra peixe”… acho muito difícil voltar, mas não descarto a possibilidade.
Não há um marco exato de quando o Rio começou a ruir. Mas, muito se comenta que a situação começou a ficar ruim desde o Governo Brizola, na década de 80. Desde então, o Rio, que naquela época parecia a Florianópolis de hoje, era uma maravilha! Mas, hoje, tenho filho, tenho família, … e em OUT/2005 achamos melhor dar um basta nisso, mudando de cidade.
Mas, para onde ir?
Depois de muitas cogitações, muitas possibilidades, mas nenhuma convicção, porque afinal, o lugar ideal só existe mesmo no plano das idéias, pelo menos, sabíamos que tinha que ser uma cidade com porte de Capital e que fosse praiana. Lugar igual ao Rio não existe. Mas, algo parecido nós sabíamos que era possível encontrar. E esta cidade seria Balneário Camboriú. Mas, por minha insistência, alteramos o rumo para Floripa. Curiosamente, quando chegamos a Florianópolis, a população das favelas no Rio havia acabado de alcançar o marco de 50% da população total da cidade. Não tenho dados exatos, mas me lembro bem dessa informação. Ou seja, a cidade estava impraticável e inchada.
As favelas do Rio são formadas, inicialmente, e em sua grande maioria, por negros e nordestinos. Quanto aos negros, historicamente, é sabido que tanto o Rio quanto Salvador concentraram grandes levas de africanos por causa da escravidão. Isso é uma mancha vergonhosa da História, do qual se paga a conta até hoje! Essas pessoas, após a Lei Áurea, passaram a viver de esmolas, perambulando pelas ruas, como vendedores ambulantes (quando tinham essa sorte) e morando em barracos nos morros do Rio. Veja bem, estou falando de algo em torno de 1900. Portanto, são décadas e décadas de omissão governamental e conformismo da sociedade.
Os nordestinos pobres, por sua vez, maltratados pela miséria, pelo ambiente hostil do nordeste árido e estimulados pela propaganda enganosa de que no Rio era fácil arranjar emprego, também chegaram aos montes. Primeiramente, chegava o homem, e assim que este arranjava um emprego (porteiro, faxineiro, garçom ou pedreiro), mandava dinheiro para toda a família vir para o Rio também. Afinal, com uma “penca de filhos” para alimentar, seria muito melhor que eles fossem para o Rio trabalhar também. Assim, as mulheres complementavam a renda familiar trabalhando como babás, faxineiras, empregadas domésticas, …
Mas, o Rio é uma cidade eminentemente turística e cara. Portanto, não havia outra alternativa para essas pessoas senão invadir os morros e construírem seus barracos lá também. Nesta época, década de 60/70, o Governo também era omisso. Aos poucos, esses barracos se tornaram pequenos edifícios de 2/3 andares, que depois se tornaram vilas, e enfim, uma favela, ou uma comunidade, como eles preferem chamar, onde seus próprios moradores definem a sua “organização”, pois o Estado jamais intercedeu (com exceção do Governo Lacerda, se não me engano) em prol dessas pessoas e da cidade em si, pois se o Estado tivesse sido atuante, não teria deixado que tantas e tantas invasões de terras públicas e privadas tivessem se tornado hoje grandes favelas, sem qualquer urbanização.
Poucas foram as medidas políticas públicas de se construir casas populares para essas pessoas. Há pouco tempo, li uma matéria sobre um estudo que a FGV criou como solução para o fim das favelas, que citava a criação de bancos populares, especialmente criados para construtoras que se propusessem a construir edifícios com apartamentos de baixo custo (em torno de 50 mil reais, se não me engano), acessível às pessoas de baixa renda, e concedendo, ainda, crédito com baixa taxa de juros.
Ocorre que nosso empresariado quer é LUCRO! O pobre que se dane!
Eu gostaria de ver este projeto na prática. Acredito que poderia dar certo. Por exemplo, eu não li, mas fiquei sabendo que, em uma entrevista, o dono das Casas Bahia foi indagado sobre a que se deve o sucesso da sua empresa. E a resposta é que o público alvo da sua empresa são as pessoas de baixa renda. São pessoas que, via de regra, não possuem bens de grande monta, ou qualquer patrimônio, e por conta disso, o que há de mais valioso para elas são seu próprio nome. Por isso, a grande maioria paga as suas dívidas.
Com base nisso, acredito que o projeto teria tudo para dar certo.
Enfim, a junção desses dados históricos, da baixa escolaridade dessas pessoas, bem como da falta de planejamento familiar, o desemprego, a chegada do tráfico e o estímulo ao consumo desenfreado de bens, marcas e símbolos (tênis, roupas, carros…), numa sociedade em que importa mais aparentar do que ser, geraram o caos que hoje é o Rio, bem como tantas outras grandes cidades e capitais no mundo. Com Florianópolis, não será diferente, guardando-se as devidas proporções.
Não sou a dona da verdade, mas gosto muito de me informar. E este é o meu entendimento sobre a questão.
Sendo racional, jamais nutri qualquer sentimento de posse com o Rio de Janeiro só porque sou Carioca. O Rio é de todos, brasileiros e não brasileiros. E temos muito orgulho disso, de exibir o Rio pelo mundo a fora. Da mesma forma, nos envergonhamos quando as notícias são depreciativas. Nós gostamos muito de saber que as pessoas adoram ir ao Rio, apesar da violência, ou da sujeira das ruas.
Vale ressaltar que a violência é um tema que rende muita grana. Vende muito jornal e dá Ibope. Basta recordar que nas 3 semanas das Olimpíadas, agora mesmo em 2008, o site da “globo.com” praticamente não tinha qualquer notícias “sangrenta”, seja do Rio ou de qualquer outro lugar do Brasil. Será que os criminosos estavam curtindo umas férias?
Aqui em Floripa, pude vivenciar pessoalmente, na Defensoria Dativa, quase 400 casos criminais, em 2007. Tem de tudo: homicídio, estupro, roubo, extorsão, furto, estelionato (nossa, e quantos!!!), receptação, tráfico de drogas, acidentes de trânsito (um absurdo, tendo em vista a qualidade das estradas catarinenses). São exatamente os mesmíssimos crimes que ocorrem no Rio. A maior diferença entre aqui e lá, é a quantidade. Floripa tem aproximadamente 400 mil habitantes, enquanto só Copacabana, com somente 8 Km2, tem uma população de 150 mil habitantes.
Em suma, como disse o Felipe, ficar reclamando sem agir não mudará o curso da História. Continuar tratando quem vem morar aqui com despeito, tampouco… Hoje, tanto se fala na Globalização, no mundo sem fronteiras, do cidadão pertencente ao mundo, e não a esta ou àquela cidade, e ainda tem gente (Mané ou Interiorano) querendo preservar Florianópolis numa redoma, expulsando os gaúchos, paulistas e cariocas. Isso afinal é o quê? Medo?! Sentimento de ameaça?! Será que dá para voltar para o útero da mamãe?!
Não se pode ignorar, também, que tudo está em constante mutação. E a cidade, como “organismo vivo” que é, também muda. Ser saudosista é completamente natural. Também sou saudosista com o Rio. Mas, não alimento a ilusão de criar muros ao redor do Rio, fechar a rodoviária ou o aeroporto.
Só a título de curiosidade:
1. Em nenhum outro lugar do Brasil, salvo aqui em Floripa, eu ouvi tanto a seguinte frase “Você não é daqui, não é?” Dá vontade de responder: “Não, eu sou de Marte!”
2. Basta ligar a TV, no canal mais visto da cidade, para se deparar com um comercial declaradamente xenófobo, ou no mínimo, discriminador, em que se finaliza com a seguinte frase: “Gente Nossa!”
3. Onde eu já trabalhei, a escrevente, visivelmente incomodada com o fato da minha vaga não ter sido preenchida por uma protegida pessoal dela (coisa corriqueira por aqui), não me chamava pelo nome, me chamava de “A Carioca”.
4. A atual oposição política da Cidade, que disputa a vaga de prefeito, tem como palavras-chaves: “TURISMO – MODERNIDADE – DESENVOLVIMENTO”. E agora????? Estaria ele em contradição com os anseios dos seus eleitores? Se afirmativo, como é que se explica a colocação deste candidato no 2º turno das eleições????
Isso significa, para mim, que algumas pessoas aqui nos tratam como agem as prostitutas: querem o nosso dinheiro, mas não nos querem aqui.
Olá amigos, Sou “Manézinho da Ilha”, Minha paixão é viajar, vejo que todos os problemas que em nossa ilha enfrenta, é enfrentada em tudo que é capital espalhadas por esse Pais. Todos aqueles que vieram a Florianópolis vão embora daqui maravilhados e isso quando vão! hehehe
O turismo é realmente a fonte de renda principal da ilha. Só que agora nos ultimos anos que nossos governantes estão se preocupando mais com o turista. Ou seja nesses ultimos 15 anos Florianópolis deu um salto do numero populacional ou seja mais carros, consequentemente menos empregos e só agora as obras realmente voltadas ao turismo estão sendo feitas.
Em todos os lugares que vamos existem pessoas boas e ás que nunca estão de bem com a vida e querendo descontar nos outros. Ctba, Rio, Fortaleza, Uruguai, Argentina, Chile, Foz do Iguaçu, São Paulo, Interior de SC, Rio Grande do Sul… em fim em todos os lugares q passei cheguei a esta conclusão.
Como é bom ter o turista aqui em nossa ilha, e tirando a menoria daqueles q nao tao de bem com a vida com certeza serão muito bem tratados em nossa ilha. Vão tomar um chop muito bom na lagoa com uma boa musica e mulheres bonitas. Nossa ilha é para todos os gostos.
Agora é dever de todos, cuidar das praias, exigir ao governo policiamento, hospitais, guias e etc.. Passei por uma senhora jogando lixo na praia reclamando que nao tinha onde jogar. (guarde numa sacola, leve e jogue quando achar uma lixeira) Más nao esqueça de mandar um e-mail pra prefeitura reclamando e pedindo lixeiras nas praias.
Em fim. Venham Para nossa Ilha. Más cuide dela pois ela também é sua.
Cambio Desligo.