Archive for maio, 2009

Reunião semanal da empresa onde trabalho

sexta-feira, maio 29th, 2009

Dando sequência a série “Eu levo uma vida de cão”, e pedindo encarecidamente que o leitor não sinta pena de mim, porque se eu o faço é pra mostrar que existe coisa pior que torcer pro Corinthians ou ser Petista, e tão somente isso. Não quero despertar no mais assíduo espectador das minhas sandices escritas qualquer sentimento negativo de compaixão ou remorso. O que quero é apenas chocar, mostrar a verdade nua e crua, uma espécie de “merda no ventilador” dessa vida dura que o meu povo sofrido leva.

Hoje fizemos um relatório fotográfico mais apurado mostrando como é nossa rotina.

É mister afirmar que hoje é sexta-feira e o expediente foi realizado enquanto você, nobre trabalhador assalariado, com ticket, vale refeição e plano de saúde, estava no conforto do seu escritório com ar condicionado, cafezinho e poltrona confortável, em contra-ponto a essa condição sub-humana de produção manufaturada.

Momento 1 – a captura do pescado

Esta é a captura da nossa matéria prima, o papa-terra, ou betara, como os colegas de profissão do sudeste o chamam (note a minha cara de descontentamento, fruto desse sub-trabalho).

Momento 2 – a seleção do produto e descarte de matéria prima avariada / com vício

Este Papaterra, após ser capturado e ficar esperando um pouco na água, foi atacado por um predador, fruto de um momento de vadiagem deste trabalhador que estava  num momento de ócio improdutivo (vulgo “matando serviço”). Após ser chamado pelo chefe (que você conhecerá a seguir) e desenvolvermos melhor o nosso espírito de equipe e a nossa relação interpessoal (vulgo “tomar uma mijada”), ele foi descartado e virará insumo (isca) para a captura de mais exemplares (vulgo “a gente não joga nada fora”).

Momento 3 – a comercialização

Este é Dr. Pinheiro, o chefe, prestes a receber o primeiro cliente do dia. Não, este cara neste transporte rústico sobre duas rodas não é o nosso cliente. Ele é apenas um assessor administrativo (vulgo “puxa-saco”) do Pinheiro, típico de uma organização e típico de chefe. O nosso cliente pode ser avistado no horizonte, um pequeno ponto preto quase invisível a olho nu se aproximando pro atraque e pro embarque da carga (pra localizá-lo melhor, veja acima do boné do aspone).

Note que começamos cedo, os primeiros raios de sol da aurora ainda tímidos eram prenúncio de que o dia começa cedo nessa lida bruta por estes rincões.

Bom, agora…

… chega de trabalho por hoje. Com licença, vou me divertir :)

Coincidência

quarta-feira, maio 27th, 2009

Depois de publicar o post anterior sobre minha vida dura de pescador, fui checar os e-mails e leio o seguinte comentário no post em que falo sobre os códigos de CID e os atestados médicos, legado de algumas experiências profissionais que eu tive.

Comentário:
Meu querido vc é doente mental, e não sabe nada sobre recursos humanos, tenho certeza q não passa de um empregadinho, que age de ma fé. senão não daria incentivo para os empregados agirem com falta de carater, quem é honesto anda direito, e se realmente esta doente não tem porquê não colocar pelo menos o CID no atestado.

Digo o milagre mas não digo o santo, até porque o santo em questão não foi tão honesto nem “macho” o suficiente pra assinar seu nome, sequer colocar o seu e-mail. Assinou apenas com BM. Poderia chutar várias possibilidades, entre elas Bruno e Marrone, Bruno Matias, Belizário Machado, Boi Manso, mas a falta de assinatura me permite a criatividade, então vou chamá-lo de BUNDA MOLE.

Caro Bunda Mole,

Talvez você não leia essa resposta de pronto, até porque aí no seu emprego – ou céus… repartição, haja algum bloqueio de Internet que restrinja acesso a blogs e coisas do gênero. Quando eu “não passava de um empregadinho”, como você diz no texto, eu fazia isso com os usuários de Internet, mas não por causa dos blogs, e sim porque empregadinhos como você ficam matando trampo navegando na Internet. Claro, isso tudo a pedido do chefe, o qual suportava como você o ainda faz, porque eu cago e ando para o que os meus nobres colegas faziam ou desfaziam na rede. E, tirando por você e por toda essa pantomima sua, começo a achar que contribuía para a evolução das espécies. Darwin vai ter que me pagar uma dose de uísque na próxima vida, se bem que ele não acredita muito nisso.

Meu chefe e eu, trabalhando uma relação interpessoal e desenvolvendo espírito de equipe realizando uma árdua tarefa em Itapema, SC.

Meu chefe e eu, trabalhando uma relação interpessoal e desenvolvendo espírito de equipe realizando uma árdua tarefa em Itapema, SC.

Eu tava pensando em escrever um texto meio que elocubrativo falando dos motivos que me levaram a escrever este post sobre o CID, na época em que realmente eu era um empregadinho, e a prosopopéia flácida passaria em torno de te explicar que nem todo funcionário age de má fé e os responsáveis por departamentos pessoais. Primeiro porque no Brasil não existe nem papai noel nem RH – droga, falei, foi mal – e segundo porque você deve ser um desses capangas de dono de empresa familiar que passa o dia inteiro amaciando o seu ego escrevendo suspensões e advertências. Acertei?

Mas querido BM, eu acabei de colocar o meu serviço em dia, aqui no recôndito do meu quarto, de onde desenvolvo as minhas tarefas, e estou planejando a próxima pescaria que deve acontecer na quinta-feira. Perdoe-me a falta de tempo pra te responder adequadamente. Aliás, se você conseguir uma folguinha, poderia vir com a gente. Faz tempo mesmo que não faço uma oferenda pra Iemanjá. Se bem que, chato como é, ela te devolveria na onda seguinte.

Beijomeliga.

Diário da vida dura

quarta-feira, maio 27th, 2009

Relato rápido, só pra vocês, queridos leitores, observarem como minha vida não está sendo fácil. E isso já fica implícito no primeiro depoimento: ontem eu acordei às cinco horas da manhã.

Vida dura, né? Friozito de maio e eu levantando da cama logo as cinco horas, enquanto você estava belo e formoso no seu aconchego sonhando com as seis dezcanenas da megasena. Levei uma meia hora pra preparar o material de trabalho e mais uma hora e meia até chegar no local onde iria fazer uma difícil tarefa. Você, provavelmente, estava tomando o seu café da manhã dieteticamente balanceado e nutritivo enquanto eu só tinha colocado um pão com manteiga pra dentro rapidamente entre um preparo e outro.

Pois é, chegou a hora da verdade. Eu tive que ir garantir o almoço. Exatamente, fui pescar, nesta manhã de terça-feira na Cachoeira do Bom Jesus, próximo a Canasvieiras, Florianópolis enquanto você provavelmente foi comer um buffet a quilo com seu ticket-refeição.

Posso garantir que foi um trabalho árduo, pra você não pensar que eu sou um vagabundo. Essa “Cocoroca”, por exemplo, resistiu bastante e dificultou meu “serviço”. Não levem em consideração a latinha de cerveja na mão do meu parceiro. Até porque Antártica e Kaiser é cerveja de pobres trabalhadores como nós.

O pior estava por vir. Tive que aguentar firme um lugar de águas sujas, paisagem feia e de gente medonha caminhando pela praia.

Não falei que era feio e sujo?

Pois é. Depois você reclama da sua vida, que estava na empresa onde trabalha engolindo sapo do chefe. Você não sabe o que eu tenho passado…

De saudade, tempo, dia das mães e ausência

domingo, maio 10th, 2009

Faltam nove minutos para o fim do domingo em que comemora-se o dia das mães, exatamente o segundo domingo de maio. Passei o dia com minha mãe. Tomei café, almocei, passei a tarde e acabei de sair com ela, apenas nós dois, pra comermos um xis.

Já a mãe dela, minha avó, que me chamava de filho e como tal eu era tratado, há quatro meses se bandeava prá querência do patrão velho. Foi camperear nos pagos lá em cima, maneando anjinho e churrasqueando com o barbas-brancas, defumando as ora ausências num fogo-de-chão qualquer.

Eu sei que não escrevi sobre isso, mas hoje não deu pra segurar. Sei lá, o blog é meu, pessoal, mas não me sinto bem com sentimentalismos públicos. Mas hoje eu preciso render uma homenagem póstuma, já que pela vez primeira não passei o domingo das mães com ela. Nem que seja por uma tentativa de compensação.

Esta foi a nossa última foto. Ela era envergonhada. Semi-analfabeta de pai e mãe, era boa em matemática, mas era doutora em amar um neto e fazê-lo se sentir como filho.

Algumas vezes, em horários do dia salteados, ela ligava pra contar uma piada ou uma história engraçada do passado (ela deveria ter escrito um livro). Dessas piadas bobas, que só ficavam engraçadas com as gargalhadas que ela soltava no telefone e mal conseguia terminar de contar, tamanho o entusiasmo da dona Dilma.

E hoje, o que mais espero é uma ligação dizendo “Oi filho, tenho uma piadinha pra te contar… não vou te atrapalhar?”

Nunca atrapalhou, vó. Nunca atrapalhou…

Pior que a Febre Amarela…

quarta-feira, maio 6th, 2009

… só a ignorância de um povo.

que a bersurdo e essa febre amarela ja mataram
hum mote de pessoas todo mundo estava apavorado
quando nao tinha cura
e pior que a cupa nao e dos macacos a cupa e do musquito mesmo
tem gente que que mata os macacos
mas nao e bem assim
e os mosquitos q estao matando e os macacos sao atigindos que nem
nos a gete somos os refes endabem que acharam acura e vcs ai se cuidem tomem a vacina rapida mente para
nao pegar essa febre amarela eu ja tomei pelomenos e nao doi nada ;]…

E pra esta moléstia, receio que não há nenhuma espécie de vacina.

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