Archive for fevereiro, 2009

Comentário ou pérola do Enem?

sábado, fevereiro 21st, 2009

Todo mundo já deve ter visto aquelas pérolas do Enem. Eu nem sei se são verdadeiras, eu creio que não, mas também não posso bater o martelo que sim. De qualquer forma, são engraçadas. O fato é que elas circulam sem qualquer pudor pelas nossas caixas de entrada e os emissores não se cansam de esquecer que já mandaram isso há duas semanas, ainda rindo das imbecilidades possivelmente escritas pelos nobres estudantes do ensino médio. E conhecendo estudante de ensino médio como eu conheço, mesmo sendo uma farsa as tais pérolas do e-mail, sabemos que elas existem, mesmo que às escuras.

Veja alguns exemplos:

E é fácil esbarrar um sujeito que escreve uma barbaridade dessas. Lia o blog do Zeca Camargo quando me deparo com um post em que ele escrevia sobre Pornografia e fazia um flashback do post anterior, onde promoveu uma enquete informal perguntando se a TV aberta deveria dar preferência na transmissão do Carnaval ou do Oscar. Comentários apaixonados de cada um dos lados, uns defendendo a cultura brasileira do desfile das escolas e outros com a bandeira da sétima arte empunhadas, quando um cidadão me constrange com o seguinte dizer:

Deixar de passar na TV o carnaval para exibir uma cerimônia do Oscar seria o mesmo que deixar de exibir uma final de Copa do Mundo de Futebol, entre Brasil e qualquer outro time do mundo, para passar no mesmo horário a final de Futebol Americano entre Los Angeles Lakers e outro time norte-americano qualquer!!!

FAIL total do nosso ilustre comentarista apresentado como Ricardo. Se bem que, vendo por outros olhos (talvez o terceiro), o Magic Johnson teria dado um bom quarterback.

Os clichês do Carnaval

sexta-feira, fevereiro 20th, 2009

Carnaval pra mim é igual merda, com a diferença que não fede. Ou fede?

Não ligo muito, não gosto do ziriguidum menos ainda dos balangandãs. Detesto lantejoula, brilho e demais alegorias. Multidão por multidão, prefiro o aconchego da minha casa. O bom é que quem não mora nas regiões carnavalescas, como praias e locais que tenham clubes, como onde eu moro, o sossego é garantido. Assim eu espero.

Mas o carnaval vem por osmose, a TV mostra o desfile das escolas e ver umas mulatas e umas loiras gostosas pagando um peitinho faz até eu ver um pouco da Sapucaí. Só não gosto de ver a Mangueira entrar, dizem que dói bastante, mas esse é outro clichê que não pretendo abordar por ora.

Não bastasse esse turbilhão de batuques adentrando à minha residência em forma de samba-enredo, eu recebo constantemente algo que eu já não aguento mais: são os trocadilhos das ofertas das lojas de departamento virtuais. Não falha um ano; Saraiva, Americanas, até o Submarino entra na avenida pra fazer trocadilhos como esse que eu fiz agora. Duvida?

Saraiva

Saraiva

Esse é absoluto o maior de todos. “Caia na folia com as lojas XXX” (troque pelo nome da loja e o clichê tá pronto, sem mostarda).

Americanas

Americanas

Ponto Frio

Ponto Frio

Shoptime

Shoptime

Nem a estreante Casas Bahia, que há pouco lançou sua loja virtual, pela primeira vez no grupo especial entrando na passarela (!) escapou do clichê.

bloco-casas-bahia

Porque não é o fato de criar promoções específicas para o Carnaval. Se ainda fossem promoções, mas é a mesma enganação de sempre: “Compre Notebook de R$8.587.499,99 por R$1.299,99″. São descontos absurdos que existem o ano todo e com o mesmo frete grátis que eles dão em qualquer época se você comprar acima de 99 reais (e quem é que compra abaixo de 99 reais com os preços praticados por eles?). O fato em questão é o clichê, é a falta de criatividade pra fazer algo diferente.

Comprafácil

Comprafácil

Quem se destacou um pouquinho foi a Comprafácil com a historinha acima. Foi a única que não ficou na ala da mesmice nem no recuo da falta de criatividade.

Ademais, nenhuma delas vai conseguir vender nada pra mim mesmo, já que esse ano eu desfilo na Acadêmicos do Sem-grana.

Já sei namorar, só não sei o endereço do meu blog

sexta-feira, fevereiro 20th, 2009

Já sei namorar, já sei beijar de língua mas não sei divulgar um blog. Mas a minha equipe de Internet sabe.

“Oi, você que acessa esse blog, saiba que eu, mesmo usando esse óculos à lá besouro e esses brincos que mais parecem arcos de treinamento de poodle; mesmo cantando músicas que são fodalhonas demais pra sua inteligência compreender tal grau magnânimo de arte, que não fazem sentido algum pra você e é exatamente por isso que acham inteligente; mesmo eu não dando entrevista na TV, não aparecendo em qualquer veículo de comunicação e não dando a mínima para os fãs; enfim, eu tenho um blog também. Beijosmelinka!”

Nem pra dizer a porcaria da URL, heim?

Cartão de débito é lenda urbana

sexta-feira, fevereiro 20th, 2009

Raramente alguém me liga pra oferecer cartão de crédito. Vejo muita gente reclamando que o telemarketing das bandeiras e dos bancos mais conhecidos são implacáveis quando querem te oferecer um novo cartão, mas eu nunca tive problema com isso. Nunca sequer me pararam na rua pra oferecer um deles. Não estou falando aqui de cartões com o da Renner ou os cartões do Ibis, que se proliferam como pobre em cidade grande. Falo dos cartões normais.

Mas mesmo assim, quando comecei meu relacionamento com o meu banco, procurei um. Queria ter um cartão de crédito pra uma emergência, lá nos primórdios da minha vida financeira, e o débito nem era tão repercutido assim. Com o passar do tempo acabei adquirindo um costume que eu acho prático hoje em dia, pagar tudo com dinheiro de plástico. À vista, mas com cartão de débito, não no crédito nem no dinheiro. Porém não é uma tarefa fácil. Pagar no débito sempre foi uma lenda urbana.

Não é tão simples como eles tentam te convencer

Não é tão simples como eles tentam te convencer

Primeiro porque o comerciante pequeno — não falo aqui dos grandes — se sente como se estivesse fazendo um favor pra você, quando você estende a tarjeta pra eles. Se você diz que o pagamento é no débito eles logo pensam na fatia que precisam deixar para a financeira em questão. Sim, compras a crédito e a débito têm um custo. Se você compra algo no valor de R$100,00, 5% desse bolo fica com a bandeira e não estou contando a taxa mensal que eles pagam pra ter a maquininha na loja.

Segundo porque ninguém respeita o cliente que paga com cartão. Não foi uma nem foram duas as vezes que eu fui num posto abastecer o carro e tive que pagar a gasolina mais cara que a “da promoção” porque não paguei em dinheiro. Um verdadeiro desrespeito com o consumidor. Isso quando não aceitam vender determinados produtos onde o lucro é pequeno, como no caso das bebidas, ou o preço é pequeno E tabelado, como no caso dos cigarros. Já tentou comprar cigarro em posto de combústivel no débito? é praticamente impossível. E aí não falamos apenas de desrespeito, falamos de um crime contra o consumidor, falamos de ilegalidade além da imoralidade já debatida no parágrafo.

Aos poucos, e não poderia deixar de ser, afinal estamos no Brasil, o código de defesa do consumidor vai sendo melhorado e algumas decisões importantes vêm sendo tomadas. Mesmo que a passos de tartaruga, as lojas já se adequam ao fato de que não podem mais rejeitar compra com cheque, à vista ou a prazo, levando em consideração a data de existência da conta corrente; era uma medida de segurança que as lojas tomavam para não receberem calote, ou minimizar a possibilidade de. E aí aparece outro impasse: olhando pelo lado do lojista, em épocas de crise o crédito é extremamente valioso e precisa ser racionado, como então confiar num cliente? Algumas lojas já até entraram com pedido liminar na justiça para poderem terem o direito de não mais vender com cheque e receio que o preço diferenciado para o débito vai continuar.

Eu continuo preferindo pagar tudo com o cartão de débito e sempre dou preferência para as lojas que dispõe da facilidade. Mesmo sob risco de a qualquer momento cometer uma Gumpice de fazer um pratão no Quilo da Maria e esquecer de perguntar se eles aceitam meu dinheiro virtual.

Precisamos de mais cromossomos 21

quarta-feira, fevereiro 18th, 2009

Diz-nos a Wikipedia que a Síndrome de Down, descoberta em 1862 pelo médico britânico John Langdon Down, é um distúrbio genético causado pela presença de um cromossomo 21 extra. Pessoas com a síndrome têm algumas características físicas em comum, como dificuldades na habilidade cognitiva (retardo mental, por exemplo) e traços do rosto típicos. Crianças ou adultos, não importa, o rosto é inconfundível.ca

É um fenômeno que pode acontecer com qualquer um, em qualquer raça, vivendo em qualquer classe social, tendo qualquer credo na família. Mas mesmo assim, é atávico o preconceito das pessoas consideradas “normais” perante aos “downs”. Não entro em detalhes, é desnecessário.

Hoje eu passei por uma situação interessante. Fui atender um cliente em sua casa quando vem o filhinho dele, que tem síndrome de down. Enquanto conversávamos, ele chegou mais perto, me deu um abraço apertado com seus pequenos bracinhos, um beijo carinhoso e saiu para dormir. Não antes, porém, de me dar “boa noite” em dois idiomas diferentes.

down-cromossomo-21

O beijo não durou mais que três segundos, mas foi incrível como um filme passou pela minha cabeça. Colorido, PAL-M, mas não tinha som. Era início da década de 90 e eu estava no ensino fundamental, raros os colegas que tinham um contato mais próximo comigo. Pode parecer besteira, mas os queridos pimpolhos evitavam chegar perto de mim porque eu era gordinho. Não por ser gordo, exatamente, mas por ser “diferente”. Aqui não estou considerando ser o motivo das chacotas por toda a minha vida estudantil, estou falando só dos primórdios da escola, que a tarca do tempo não me deixa esquecer. Eu era frustrado. Talvez ainda seja, só talvez.

Pra o Beto, como vou chamá-lo nesse post, seu cromossomo 21 que recebeu de “bônus” na sua formação genética fez a diferença na vida de um marmanjo de 25 anos de idade. Beto, hoje, deu o beijo que outrora fui aviltado de receber anos atrás, por conta do mesmo sentimento, o preconceito, que ele provavelmente sofre e indubitavelmente caga e anda, ainda criança e sem entender muito da sua característica, mas que não passa adiante.

O mais engraçado de tudo é que, muito embora eu não estivesse sendo simpático com o garoto por algum tipo de política correta, tinha um certo receio de que o meu cliente assim pensasse. Quando o medo não é de chegar perto, o nosso medo é que as pessoas pensem que chegamos perto pra que elas não pensem que estamos fazendo. Beto não tinha nenhum receio, pelo contrário, além de não ficar assustado com este joão-grandão que vos escreve, se virava nos trinta com seus pequenos bracinhos pra tentar preencher a circunferência da dadivosa pança que carrego na garupa.

Beto não me ensinou nada, não foi um exemplo de vida e nem uma dessas besteiras que o Faustão diria de um convidado do Domingão com qualquer dificuldade. O que Beto fez foi me devolver aquilo que eu achava que era meu de direito e dever; que uma criança de seis, sete anos de idade me desse um beijo e tratando como igual perante as desigualdades das nossas formas e medidas. Antes tarde do que nunca, diz o velho clichê.

E eu saí de lá envergonhado por cobrar do cliente que mal sabe que me deu muito mais do que dei a ele. Talvez, com o dinheiro, eu compre um cromossomo 21 extra.

Créditos da foto

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